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Lemos 258 clássicos atrás de homofobia

Um estudo do Literatok, outubro de 2026

Abrimos de novo um por um os poemas, contos e crônicas brasileiros do Literatok e lemos até a última linha, desta vez atrás de homofobia. O que mais aparece é silêncio. Só 13 textos tocam no assunto, quase todos de passagem, e nenhum chama o desejo entre iguais pelo nome. Quando ele aparece, vem como piada, como pecado ou como ordem para o menino ser homem.

258textos lidos inteiros
13tocam no assunto
4com preconceito do próprio texto
0defendem quem é alvo

A régua

duas perguntas para cada texto

A palavra homofobia só se espalhou nos anos 1970, depois de todos os textos do acervo. Por isso a leitura procurou duas coisas: o desejo entre pessoas do mesmo sexo e a cobrança sobre quem foge do papel de homem ou de mulher. O rapaz delicado. A moça de paletó. O menino que chora.

A amizade entre homens, escrita com muito afeto no século XIX, ficou de fora. O machismo sem esse eixo também, porque tem estudo próprio. Como nos outros estudos, cada texto recebeu duas marcas.

Nota: quanto o assunto aparece.


    Postura: o que o texto faz com isso.

      Os 258 textos, um quadrado cada

        Dos 258 quadrados, 245 ficam claros. Nos 13 marcados, 4 assumem o preconceito, 4 ficam no meio do caminho e 5 só mostram. A caixa de quem denuncia ficou vazia.

        Quase tudo de passagem

        os 13 textos por nota e postura

          Oito dos 13 têm nota 1: um apelido, uma comparação, uma frase solta. Um texto só gira inteiro em torno do assunto. É uma anedota de Olavo Bilac sobre Gomorra, contada num salão para fazer a viscondessa corar.

          De que jeito

          os 13 textos por tipo

            Quatro textos cobram do homem que seja homem: que não chore, que não seja eunuco, que não ande bamboleando. Outros quatro riem do rapaz delicado ou da moça de colarinho. O desejo entre iguais aparece duas vezes, e nas duas fica no subentendido.

            O tamanho do silêncio

            o que os textos da época podiam dizer

            Em 258 textos, nenhum personagem ama alguém do mesmo sexo às claras. Escrever sobre isso custava caro. Até 1830, as Ordenações Filipinas mandavam queimar quem fosse condenado por sodomia. O Código Criminal do Império tirou o crime da lei naquele ano. A polícia passou a usar a vadiagem e o ultraje ao pudor.

            Em 1895, Adolfo Caminha publicou Bom-Crioulo, romance sobre o amor de dois marinheiros, e foi atacado pela crítica. O livro não está no acervo, que só reúne textos curtos.

            Onze dos 13 textos marcados falam de homens. A mulher que ama outra mulher aparece uma vez só, e mesmo assim na dúvida.

            Sete exemplos

            Trechos copiados do texto como está no acervo, com a grafia da época.

            O que a leitura mostrou

            1. O assunto quase não existe no acervo. São 13 textos em 258, e oito tocam nele com uma palavra só.

            2. É o único estudo do Literatok em que nenhum texto toma o lado de quem sofre o preconceito. No de racismo e no de machismo, havia textos que denunciavam.

            3. A cobrança cai mais sobre o homem. Ele não pode chorar, dançar com ademanes ou se enfeitar. Onze dos 13 textos falam de homens.

            4. O xingamento da década de 1920 era “almofadinha”, o rapaz enfeitado da cidade. Alcântara Machado e Humberto de Campos usam o apelido sem precisar explicar.

            5. O desejo entre iguais só passa cifrado: uma frase solta numa roda de amigos, um poema de ciúme por uma amiga em que a voz se diz “eu mesmo”.

            Por que esses textos continuam lá

            Tirar Os anjos do acervo apagaria a prova de como um salão do Rio ria do assunto em 1897. Por isso todo clássico do Literatok abre com um aviso:

            “Este texto foi escrito em outro tempo e pode trazer ideias, palavras e preconceitos daquela época ou de quem o escreveu. Elas não representam a equipe do Literatok, que não endossa nem compactua com essas visões.”

            Este estudo completa o aviso. Ele diz onde está o preconceito, de que tipo é, quem escreveu e o tamanho do que ficou calado.


            Como foi feito

            Cada um dos 258 textos foi lido inteiro por um modelo de inteligência artificial, com a régua acima, e recebeu nota, postura, tipo e o trecho mais forte. Os trechos foram conferidos contra o original. Depois, uma busca por palavras como almofadinha, adamado, eunuco, ademanes e Gomorra conferiu se algum texto tinha escapado. Na revisão, dois textos saíram por falta de assunto e dois tiveram a nota baixada.

            As notas são julgamento de quem leu. Aqui pesa mais do que nos outros estudos, porque quase tudo depende de uma entrelinha, e outra leitura pode tirar um texto da lista ou pôr outro. O acervo só tem obras em domínio público, do século XVII à primeira metade do XX, e o estudo não mede a literatura brasileira inteira.


            Ver os 13 textos
            TextoNotaPostura

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            O Literatok é um varal de folhetos de cordel no celular. Poemas, contos e crônicas de domínio público, um por tela: você desliza para cima e chega o próximo. Dá para ouvir narrado, guardar e mandar para alguém.

            Os 13 textos deste estudo estão lá inteiros, com o aviso de contexto. Leia e tire a sua conclusão.

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            Estudo feito em outubro de 2026 sobre o acervo brasileiro do Literatok. Leia também Racismo nos clássicos e Machismo nos clássicos.