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Lemos 258 clássicos atrás de racismo

Um estudo do Literatok, outubro de 2026

Abrimos um por um os poemas, contos e crônicas brasileiros do Literatok, de Gregório de Matos a Mário de Andrade, e lemos até a última linha. A maioria não toca no assunto. Uma parte fala de raça para denunciar a escravidão. E 26 textos carregam o preconceito na própria voz.

258textos lidos inteiros
68falam de raça
26com preconceito do próprio texto
14denunciam o racismo

A régua

duas perguntas para cada texto

Falar de raça e ser racista são coisas diferentes. Negrinha, de Monteiro Lobato, é um dos contos mais duros do acervo sobre racismo. E está do lado da menina. Por isso cada texto recebeu duas marcas.

Nota: quanto de conteúdo racial aparece.


    Postura: o que o texto faz com isso.

      Os 258 textos, um quadrado cada

        Três em cada quatro textos não têm nada racial relevante. Dos 68 que têm, 21 assumem o preconceito e 5 denunciam a escravidão enquanto repetem estereótipos dela.

        Nota alta não é o mesmo que texto racista

        os 68 textos por nota e postura

          Dos 11 textos com nota 4, seis são denúncias, como O navio negreiro, Negrinha e Pai contra mãe. Os outros cinco endossam o racismo. Todos os cinco são contos e crônicas escritos entre 1898 e 1918, depois da Abolição.

          Contra quem

          os 26 textos que endossam ou escorregam

          Mais da metade mira pessoas negras. Caboclos e indígenas vêm depois, quase sempre descritos como atraso ou selvageria.

          Por autor

          quem tem quatro ou mais textos marcados

            Machado aparece mais porque a escravidão está no cenário de muitos contos dele. Em quatro, ela é o alvo da ironia. Só um texto seu endossa, e de passagem: os “cem ethiopes feios” de A mosca azul. Nas crônicas de João do Rio sobre o Rio de 1900, o desprezo é do narrador em cinco de oito.

            Oito exemplos

            Trechos copiados do texto como está no acervo, com a grafia da época.

            O que a leitura mostrou

            1. Os cinco textos mais graves foram escritos entre 1898 e 1918, dez a trinta anos depois da Abolição. É a época em que as teorias de hierarquia entre raças circulavam em jornais e revistas como ciência.

            2. Ser abolicionista não garantia escapar do racismo. Castro Alves e Fagundes Varela condenam a escravidão e, no mesmo poema, tratam o escravizado como amaldiçoado ou como lixo.

            3. O mesmo autor cai dos dois lados. Monteiro Lobato assina Negrinha e também Bocatorta, Velha praga e Cidades mortas.

            4. O vocabulário da época aparece até em autores negros. Cruz e Sousa fala em “barbaria” africana em Dor negra, e Lima Barreto descreve danças do subúrbio com a escala de “selvagem” a “civilizado” em Bailes e divertimentos suburbanos, talvez com ironia.

            5. O preconceito miúdo também conta. “Trabalhava como um negro”, a amiga triste “por não ser branca”, a moça “morena, sem ser trigueira”: frases de passagem, que o leitor de 1900 nem notava.

            Por que esses textos continuam lá

            Tirar Bocatorta do acervo apagaria a prova de como se escrevia sobre pessoas negras trinta anos depois da Abolição. Por isso todo clássico do Literatok abre com um aviso:

            “Este texto foi escrito em outro tempo e pode trazer ideias, palavras e preconceitos daquela época ou de quem o escreveu. Elas não representam a equipe do Literatok, que não endossa nem compactua com essas visões.”

            Este estudo completa o aviso. Ele diz onde estão os preconceitos, de que tipo são e contra quem.


            Como foi feito

            Cada um dos 258 textos foi lido inteiro por um modelo de inteligência artificial, com a régua acima, e recebeu nota, postura, grupo atingido e o trecho mais grave. Os trechos dos 26 textos que endossam ou escorregam foram conferidos contra o original.

            As notas são julgamento, não medição. Outra leitura pode mudar um texto de lugar, principalmente quando há ironia. O acervo só tem obras em domínio público, então o estudo cobre do século XVII à primeira metade do XX e não mede a literatura brasileira inteira.


            Ver os 68 textos
            TextoNotaPostura

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            literatok.com.br

            O Literatok é um varal de folhetos de cordel no celular. Poemas, contos e crônicas de domínio público, um por tela: você desliza para cima e chega o próximo. Dá para ouvir narrado, guardar e mandar para alguém.

            Os 68 textos deste estudo estão lá inteiros, com o aviso de contexto. Leia e tire a sua conclusão.

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            Estudo feito em outubro de 2026 sobre o acervo brasileiro do Literatok.